Uma Biblioteca Sem Cadeados em M’boi Mirim, na periferia sul da Cidade de São Paulo – mas ainda há muito o que fazer – apontam xs Jovens do Fundão.

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O Quilombo é na sua essência uma afirmação do livre ser, é a sociedade alternativa, longe dos centros de poder, onde passava-se a constituir um tipo de comunidade independente de um modelo de sistema arcaico e injusto.

Essa energia está nos jovens que decidiram ir contra o fluxo dos centros urbanos, para construir ações e reflexões em uma escola pública segregada na cidade de São Paulo – As experiências de transformação a partir do diálogo e da leitura mostram novos caminhos e possibilidades.

O NJP têm suas raízes firmadas dentro de um prédio antigo, com formato de fábrica, onde pouca luz natural reflete, com pátios insalubres e muitas grades: É como conhecemos a Escola fomentada pelo Estado Brasileiro, e podemos afirmar que em outros territórios não é muito diferente – se você mora em uma região descentralizada com certeza conheceu ou tentou cabular aula numa ‘escola-presídio’. Não estamos fazendo apologia a evasão, mas sim uma crítica direta ao modelo que é proposto; Se o ambiente não é favorável, convidativo, nem trás consigo a sensação de acolhimento, é natural que tenhamos vontade de escapar dali, pelo simples instinto.

Mas hoje podemos enxergar caminhos possíveis, construídos através de ações afirmativas; São transformações significativas – e até mesmo inesperadas – que podem ser percebidas, analisadas e compartilhadas, e que provam cada vez mais o poder da articulação jovem na região de M’boi Mirim.

Entre as ações que o movimento vêm construindo no Fundão de Mboi Mirim, destacam-se as rodas de conversa realizadas na escola E.E. Profa Amélia Kerr Nogueira, sobre os mais diversos temas da sociedade e cultura, e para questionar o modelo de gestão pública que é oferecido, e como os jovens poderiam se se organizar para promover mudanças nesses modelos. Essas reflexões foram ambientados num espaço degradado e vítima de uma forma insensível em sua estrutura pedagógica – a maior escola da região Sul 2 atende mais de 4.000 alunos segundo o Portal Aprendiz e ilustra os abismos e contrastes das instituições de ensino na Cidade de São Paulo.

Atualmente, a escola passa por um novo ciclo: Entre as atividades importantes que vêm sendo realizadas, destaca-se o Clube de Leitura Quilombo Mirim: Uma parceria do Núcleo de Jovens Políticos, Companhia das Letras e Rede LiteraSampa, que está incentivando alunos a viajarem no universo da leitura e debater sobre várias dimensões do conhecimento e vida em comunidade – Foram 2.060 livros circulados na escola, 360 livros adquiridos pela escola no ano de 2017, 400 livros disponibilizados pela Cia das Letras anualmente, 370 livros doados pelo NJP para o acervo da Biblioteca da escola, 140 alunos participam do projeto anualmente e mais 15 participantes no Clube dos Colaboradores.

O Livro no Brasil custa em media R$55,00 – E mesmo quem nasceu nos lugares com a melhor infra-estrutura e privilegiados não lêem tanto assim, é um desafio incentivar a Leitura num País onde a média de leitura é 1,7 livros por ano. Agora, imagine esses dados no contexto de territórios como o do Fundão do M’Boi Mirim (Distrito do Jardim Ângela), que já foi considerado o Bairro mais violento do Mundo pela ONU, com IDH igual ou pior que países que passam por conflitos atualmente.

Olhar a construção do nosso País, a nossa história, é observar que chegamos em níveis insustentáveis, nos extremismos, a herança do patriarcalismo, apatia e corrupção sistêmica – Só encontraremos a luz das mudanças necessárias se entendermos a ferramenta da cidadania, e se o acesso a informação, ao livro, leitura, literatura e biblioteca como políticas públicas for fomentado pelo poder público como algo essencial, é como enxergamos essa transformação, são caminhos que devem ser caminhados com destino certo: Acabar com os paliativos a troco de votos para que a juventude perceba a discussão de políticas como se sonhássemos sonhos coletivos.

Adiante, temos muito para pensar e organizar: A biblioteca da escola precisa oferecer muito além de estantes e acervo, a sala de leitura é o coração da escola, e os alunos precisam compreender e significar o ambiente onde coexistem como lugar de promoção de direitos e de troca de vivências, é um anseio que continuamos a alimentar – Que cada sala de leitura se torne um espaço com essa energia, que possa transmitir para toda a comunidade esse constante aprendizado e transformação.

 

@isaacshj @felipecostarvl

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